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Eu perdi o encanto. É isso que eu sei e que, muito provavelmente, nunca mais voltará a surgir em ti. Eu não conheço isso... porque eu apaixono-me pelas pessoas e pelo que elas são, pensam, criam, se orgulham, evitam, aceitanto-as com cada pequeno defeito, com os seus problemas, com a sua vida.

Desapaixono-me quando matam a paixão. Tu nunca a mataste em mim. Tu quando a acendeste, alimentaste-a, sempre. Por isso eu não sei o que é desapaixonar-me pela pessoa por quem me apaixonei de forma tão limpa,pura e genuína.


É verdade quando te respondo que eu aceito e sei lidar com isto, porém não sou tão sincera quando me perguntas se isto me magoa. É como te disse... Eu aceitei-te e apaixonei-me por ti, com todos os teus amuos, as tuas birras, os teus desejos, os teus objectivos de vida, as tuas preocupações, as tuas aspirações, os teus gostos, os teus hobbies, o teu beijo, as tuas teorias, a tua mania de saber sempre mais que os outros, o teu lema de vida. Aceitei-te porque sabia que,perante qualquer problema que surgisse, juntos arranjaríamos uma solução, como duas pessoas que se gostam e se preocupam uma com a outra, como "um só", como eu me orgulhava tanto de ouvir.


É engraçado pensar que me fazes lembrar as raparigas que se deixam levar pelas lenga-lengas dos rapazes quando se sentem mais fragilizadas, como quando acabam com os namoradinhos. Será que, apesar de saber que foi verdadeiro, só nos mandámos nesta viagem porque estavas frágil? Ou estávamos, se preferires. Prefiro referir-me a ti já que, pelo que vejo, me mandei nesta viagem porque sabia que me ias ajudar a pôr tudo para trás das costas. Ajudaste-me imenso, sempre a focar-me para a realidade. E eu, no meio disso tudo, encantei-me por ti.


Há, também, uma coisa engraçada. Continuo com aquela estúpida esperança no meu subconsciente de que voltes a encontrar o meu encanto. Digo subconsciente porque o meu consciente teima em levar-me para a negatividade e, portanto, eu sei que nunca mais voltaremos a ser o que fomos: duas crianças felizes mas responsáveis. Sei que não voltarás a sorrir-me com aquele brilho nos olhos. Sei que nunca me voltarás a dizer que me amas e que estás sedento para passar a vida comigo. Até quando o disseste pela primeira vez, eu dei um passo atrás e questionei-te sobre a tua certeza. Afinal foi apenas fogo de vista.


O que eu ainda não entendi é ... Como é possível te teres apaixonado por mim e pela pessoa que eu sou e isso desaparecer se eu continuo a mesma pessoa e foi tudo tão bonito ao nosso redor? Acho que nunca vou compreender isso.


Eu não te vou dizer, apesar de já o ter feito, que te ia dar o mundo, o paraíso. Mas ia dar-te, sim, o meu mundo, aquele que eu conheço...O paraíso não sei se existe, mas eu imaginei-o algumas vezes contigo.


E pronto... Agora resumo-me ao papel e à internet. Aquilo que senti por ti, sinto por ti.. Vai morrer neste ridículo blog. Não me vais voltar a ouvir dizer-te o quanto te amo, o quanto quero ter uma vida contigo, o quanto sinto necessidade de te ligar para te ouvir ou as saudades que tenho das nossas pequenas viagens e das nossas longas conversas lamechas. 


Continuo sem conseguir rejeitar as résteas de carinho que tens para me dar. Sim,magoa-me muito porque eu tenho sentimentos fortes por ti. Não é sempre que se sente isto e o que sinto por ti, na verdade, é algo com o qual nunca tinha tido contacto. Mas eu prefiro assim... Eu conheço-me e sei que aos poucos o meu amor por ti vai-se apagando, porque sem amor mútuo, o amor que ainda persiste desvanesce-se. Sei que me vou cansar de ser a ex namorada a quem ainda dás uns beijinhos e sentes falta. E antes que te voltes a apaixonar por outra pessoa, eu vou dizer-te que já não te amo e virar as costas ao verdadeiro amor puro. Aquele amor que, mesmo depois de ser rejeitado, esteve lá, de pé, lutando, sorrindo e chorando por dentro, sem ninguém ver. Mas não te culpo... Eu é que me apaixonei pela pessoa errada. My bad :)

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