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Ainda procuro algo mais extraordinário que isto. Acordo, tomo um banho frio, como os restos do jantar passado, passeio o cão, durmo e acordo e desejo adormecer, outra vez. Que tédio! Já conheço isto de cor. Julgo as rotinas dispensáveis. Existe sempre uma janela onde o sol radia a sua luz, portanto existe um Mundo lá fora. "E que Mundo", suspirava eu desejosa de o ver. Vou descalçar-me e tirar o relógio e sair lá para fora, experimentar correr, que há muito que não o faço. Quero conhecer o que não sei se existe, arriscar falar o que não sei dizer. (...) E quando chego àquela falésia, encontro uma linha longínqua que parecia rasgar o céu do oceano. Deixo que o vento me  traga o cheiro a mar e inclino a minha cabeça e deixo-o passar... Continuo de olhos fechados porque tenho medo de olhar para trás. Tenho medo de ver o que corri até aqui. E quando espreito, sinto a solidão. É tão fria que quando chegam aos meus olhos eles lacrimejam. Quero voltar mas perdi-me e eu deixei-te para trás. 

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