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11 Junho 2010



Faz hoje um ano que ouvi aquelas palavras "Olha Sara.. Ele faleceu esta manhã " .

Disseste-me aquilo assim, sem me preparares e sem pudor, de uma forma crua e clara.
Sem piedade, levaste um bocado de mim.
Ingenuamente, nunca quis acreditar na sua breve morte. Era apenas um pesadelo, " há-de recuperar, não se preocupe, com tratamento e quimioterapia vai ficar bom num instante, vai ver ", dizia eu, sem qualquer razão, com toda a certeza do meu engano. Ando há um ano a aprender como deixar partir as pessoas que amo, mas surge a mesma dúvida de sempre.. Teremos tempo para amar realmente uma pessoa ? Com tanto amor que me transmitias, nem me deixaste ver que este amor não era eterno. Perdoa-me por nunca te ter contado o meu segredo, quanto a ti: amava-te muito e admirava, apaixonadamente, a tua boa disposição.


Fazes-nos muita falta e, a prova disso, foi a quantidade de vezes em que o teu nome foi mencionado hoje ( e sempre, como espero que saibas ) . É triste sentir este vazio ao pensar que nunca mais vou ser recebida daquela forma única e especial no aeroporto da Madeira, que foram raras as vezes que correspondi ao teu afeto.. Ao lembrar-me da tua angústia quando eu fazia birra, em criança, quando me abraçavas e afagavas o meu cabelo. Apesar de te recordar com o meu maior sorriso esboçado por todos os bons momentos que partilhaste comigo, as piadas, as brincadeiras, as músicas, as passagens de ano, os natais, os verões, as viagens, as fotografias, os conselhos, a preocupação.. Espero que me perdoes pelas palavras que eu não te disse e pelo carinho que não parecia recíproco. Amar-te-ei para sempre, como sempre amei, Padrinho ♥


Com muitas saudades, a tua afilhada


11 Junho 2011


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